Módulo 4

Camada Física

Introduction to Networks (ITN) · Cisco CCNAv7

Navegação rápida

4.0.1

Por que devo cursar este módulo?

Bem-vindo à Camada Física! ☠️

A camada física do modelo OSI fica na parte inferior da pilha. Faz parte da camada de Acesso à Rede do modelo TCP/IP. Sem a camada física, você não teria uma rede.

Este módulo explica, em detalhes, as três maneiras de se conectar à camada física. As atividades e laboratórios do Packet Tracer darão a você a confiança que você precisa para conectar sua própria rede!

Conexões com fio · Sem fio · Componentes físicos

4.0.2

O que vou aprender neste módulo?

Objetivo do módulo: Explicar como os protocolos de camada física, os serviços e a mídia de rede possibilitam as comunicações em redes de dados.

Título do Tópico Objetivo do Tópico
Propósito da camada física Descrever a finalidade e as funções da camada física na rede.
Características da camada física Descrever as características da camada física.
Cabeamento de cobre Identificar as características básicas do cabeamento de cobre.
Cabeamento UTP Explicar como o cabo UTP é usado em redes Ethernet.
Cabeamento de fibra óptica Descrever o cabeamento de fibra óptica e suas principais vantagens em relação a outros meios físicos.
Mídia sem fio Conectar dispositivos usando meio físico com e sem fio.
4.1

Propósito da camada física

A camada física do modelo OSI fornece os meios para transportar os bits que formam um quadro da camada de enlace de dados no meio físico de rede.

Transmissão

Aceita um quadro completo da camada de enlace de dados e o codifica como uma série de sinais transmitidos à mídia local.

Recepção

Recupera sinais individuais do meio físico, restaura-os aos bits e passa para a camada de enlace de dados.

4.1.1

A conexão física

Antes que ocorra qualquer comunicação em rede, é necessário estabelecer uma conexão física com uma rede local.

Conexão com fio

Usando cabo a um comutador compartilhado. Dados transmitidos por cabo físico.

Conexão sem fio

Usando ondas de rádio. Dispositivos conectam a um ponto de acesso (AP) ou roteador sem fio.

Cenário corporativo: Escritórios combinam conexões com fio (desktops) e sem fio (notebooks, tablets, smartphones).
4.1.2

A Camada Física

A camada física aceita um quadro completo da camada de enlace de dados e o codifica como uma série de sinais que são transmitidos à mídia local.

Dados do
Usuário
Segmento
TCP
Pacote
IP
Quadro
Ethernet
Sinais
(Camada Física)
Processo de encapsulamento · Servidor Web ↔ Cliente Web
NIC Ethernet

Placa de interface de rede para conexão com fio. Converte dados em sinais elétricos.

NIC WLAN

Placa para conexão sem fio. Usada em tablets e smartphones.

4.2

Características da camada física

As conexões físicas variam em termos de nível de desempenho. Nem todas as conexões físicas são iguais.

Característica Descrição
Largura de banda Capacidade máxima de transmissão do meio (medida em bps)
Latência Atraso na transmissão entre origem e destino
Distância Alcance máximo do sinal sem perda significativa
Imunidade a ruídos Resistência a interferências eletromagnéticas
4.3

Cabeamento de cobre

O cabo de cobre é o tipo mais comum de meio físico em redes. Utiliza pulsos elétricos para transmitir dados.

Sinais elétricos

Bits codificados como pulsos de voltagem

Suscetível a ruídos

Interferência eletromagnética (EMI)

Limite de distância

100m para Ethernet (atenuação)

4.4

Cabeamento UTP

UTP (Unshielded Twisted Pair) é o cabo mais comum em redes Ethernet. Par trançado reduz interferência eletromagnética.

Categorias UTP: Cat5e (1 Gbps), Cat6 (10 Gbps até 55m), Cat6a (10 Gbps até 100m)
Conector RJ-45

Conector padrão para cabos UTP. Possui 8 pinos correspondentes aos 4 pares trançados.

4.5

Cabeamento de fibra óptica

Utiliza pulsos de luz (LED ou laser) para transmitir dados. Oferece vantagens significativas sobre o cobre.

Vantagem Descrição
Largura de banda Muito superior ao cobre
Distância Kilômetros sem repetidores
Imunidade Sem interferência eletromagnética
Segurança Difícil de interceptar sinal

LED/Laser → Pulso de luz → Fotodetector
Compatível com multimodo (LED) e monomodo (Laser)

4.6

Meios sem fio

Dispositivos se conectam à rede usando ondas de rádio, sem cabos físicos.

Ponto de Acesso (AP)

Dispositivo que permite conexões sem fio à rede com fio

Roteador sem fio doméstico

Combina: antenas sem fio + portas Ethernet + porta Internet

Dispositivos como tablets e smartphones possuem apenas NIC WLAN — devem usar conexão sem fio obrigatoriamente.

Verifique seu aprendizado

1. Qual das seguintes afirmações descreve CORRETAMENTE a função da camada física?

2. Qual tipo de NIC é obrigatório para um tablet ou smartphone se conectar à rede?

3. Qual é a principal vantagem da fibra óptica sobre o cabo de cobre?

4.2

Características da camada física

Os protocolos e operações das camadas OSI superiores são executados usando software. Já a camada física consiste em circuitos eletrônicos, meios físicos e conectores desenvolvidos por engenheiros.

Aplicação
Apresentação
Sessão
Transporte
Rede
Enlace
Física ⚡
Padrões TCP/IP: software (IETF) · Padrões Camada Física: hardware
Organizações de padronização: ISO, EIA/TIA, ITU-T, ANSI, IEEE, FCC (EUA), ETSI (Europa), CSA (Canadá), CENELEC, JSA/JIS (Japão)
4.2.2

Componentes Físicos

Os padrões da camada física abordam três áreas funcionais: Componentes Físicos, Codificação e Sinalização.

Componentes Físicos

Dispositivos de hardware eletrônico, mídia e conectores que transmitem sinais

Codificação

Método para converter fluxo de bits em código predefinido

Sinalização

Como os bits são representados fisicamente no meio

Exemplos de componentes físicos:

NICs (placas de rede), interfaces, conectores RJ-45, materiais de cabo, portas em roteadores Cisco 1941.

4.2.3

Codificação (Line Coding)

A codificação é um método para converter um fluxo de bits de dados em um "código" predefinido, criando um padrão previsível reconhecido por emissor e receptor.

Analogia com código Morse: Assim como pontos e traços representam letras, a codificação Manchester representa bits com transições de voltagem.
Codificação Manchester (Ethernet 10BASE-T)
Bit 1
↑ baixo→alto
Bit 0
↓ alto→baixo
Transição no meio de cada período de bit
Padrão Ethernet Codificação
10BASE-T Manchester
100BASE-TX (Fast Ethernet) 4B/5B
1000BASE-T (Gigabit Ethernet) 8B/10B
4.2.4

Sinalização

A camada física deve gerar os sinais elétricos, ópticos ou de rádio que representam os valores "1" e "0" no meio físico.

Cabo de Cobre
Sinais Elétricos
Pulso longo = 1
Pulso curto = 0
Fibra Óptica
Pulsos de Luz
Pulso de luz = 1
Ausência de luz = 0
Mídia sem Fio
Ondas de Rádio
Modulação de frequência
Modulação de amplitude
Analogia com código Morse: Assim como o código Morse usa tons liga/desliga, luzes ou cliques para enviar texto, a sinalização na camada física usa variações de voltagem, luz ou ondas de rádio.
4.2.5

Largura de Banda (Bandwidth)

Largura de banda é a capacidade na qual um meio pode transportar dados. Mede a quantidade de dados que podem fluir de um lugar para outro durante um determinado tempo.

Atenção! Largura de banda NÃO é a velocidade em que os bits viajam. Na Ethernet 10 Mbps e 100 Mbps, os bits viajam na velocidade da eletricidade. A diferença é o número de bits transmitidos por segundo.
Unidade Sigla Equivalência
Bits por segundo bps Unidade fundamental
Quilobits por segundo Kbps 1.000 bps = 10³ bps
Megabits por segundo Mbps 1.000.000 bps = 10⁶ bps
Gigabits por segundo Gbps 1.000.000.000 bps = 10⁹ bps
Terabits por segundo Tbps 1.000.000.000.000 bps = 10¹² bps
Fatores que determinam a largura de banda prática:
  • Propriedades do meio físico
  • Tecnologias de sinalização e detecção
4.2.6

Terminologia de largura de banda

Os termos usados para medir a qualidade da largura de banda incluem: Latência, Taxa de transferência (Throughput) e Dados úteis (Goodput).

Latência

O termo latência se refere ao tempo necessário para os dados viajarem de um ponto a outro, incluindo atrasos.

Atenção: Em uma internetwork ou rede com vários segmentos, a taxa de transferência não pode ser mais rápida que o link mais lento no caminho da origem ao destino. Mesmo que todos ou a maioria dos segmentos tenham alta largura de banda, será necessário apenas um segmento com baixa taxa de transferência para criar um gargalo na taxa de transferência de toda a rede.
Taxa de transferência (Throughput)

Taxa de transferência é a medida da transferência de bits através da mídia durante um determinado período.

Fatores que influenciam a taxa de transferência:
  • A quantidade de tráfego
  • O tipo de tráfego
  • A latência criada pelo número de dispositivos de rede encontrados entre a origem e o destino
Exemplo de teste de velocidade online
Velocidade de download
80.78
Mbps
Velocidade de upload
8.78
Mbps
Escala: 0 — 512k — 1M — 5M — 10M — 25M — 50M — 100M+
Devido a alguns fatores, geralmente a taxa de transferência NÃO corresponde à largura de banda especificada nas implementações da camada física. A taxa de transferência geralmente é menor que a largura de banda.
Dados úteis (Goodput)

Há uma terceira medida para avaliar a transferência de dados utilizáveis: o goodput.

Goodput é a medida de dados úteis do usuário transferidos em um determinado período. É a taxa de transferência MENOS a sobrecarga de tráfego para:
  • Estabelecer sessões
  • Reconhecimentos (ACKs)
  • Encapsulamento (headers)
  • Bits retransmitidos
Relação entre as métricas
Largura de Banda
Capacidade teórica máxima
Throughput
Transferência real medida
Goodput
Dados úteis do usuário
O goodput é sempre menor que a taxa de transferência, que geralmente é menor do que a largura de banda.
Métrica Definição Comparação
Latência Tempo total (ida + atrasos) que um dado leva para ir da origem ao destino Quanto menor, melhor; alto impacto em aplicações real-time (VoIP, videoconferência)
Throughput Bits reais transferidos por segundo através da mídia Sempre ≤ Largura de Banda; afetado por tráfego, latência e dispositivos intermediários
Goodput Dados úteis do usuário transferidos por segundo (exclui overhead) Sempre ≤ Throughput; perde bits em headers, ACKs e retransmissões
📌 Resumo prático:

A largura de banda é o que você contrata do provedor (ex: 100 Mbps). O throughput é o que você mede no speed test (ex: 80.78 Mbps). O goodput é o que você realmente aproveita após descontar cabeçalhos, confirmações e retransmissões (ex: 75 Mbps). A latência é o atraso que você sente em jogos ou chamadas de vídeo.

4.3.1

Características do Cabeamento de Cobre

O cabeamento de cobre é o tipo mais comum de cabeamento usado nas redes hoje em dia. Existem três tipos diferentes de cabeamento de cobre usados em situações específicas.

Vantagens do cobre: barato, fácil de instalar, baixa resistência à corrente elétrica
Limitação por distância: quanto mais o sinal viaja, mais ele se deteriora — isso se chama atenuação de sinal. Todas as mídias de cobre devem seguir limitações de distância rigorosas conforme especificado nos padrões.

Suscetibilidade a interferências

A temporização e a voltagem dos pulsos elétricos são suscetíveis à interferência de duas fontes:

EMI / RFI

Interferência eletromagnética ou de radiofrequência. Fontes: luzes fluorescentes, motores elétricos, dispositivos de rádio.

Diafonia (Crosstalk)

Perturbação causada pelo campo magnético de um sinal em um fio para o sinal em um fio adjacente. Ex: ouvir outra conversa no telefone (linha cruzada).

Como a interferência afeta o sinal digital
1. Sinal digital puro
___/-‾‾‾\___/-‾‾‾\___
Voltagem ↑ · Tempo →
2. Sinal de Interferência
~~~~~~/‾\~~~~~/‾\~~~~~
Ruído externo
3. Sinal com Interferência
__/‾‾/\___/‾‾‾\___/‾\_
Sinal corrompido
4. O que o computador lê
Bit 0 → Bit 1 (erro)
Sinal alterado
Um sinal digital puro é transmitido → No meio, há um sinal de interferência → O sinal digital é corrompido → O receptor lê um sinal alterado (bit 0 vira 1)

Recomendações para limitar ruído

Para contrabalançar EMI/RFI: cabos com blindagem metálica + conexões devidamente aterradas.
Para contrabalançar crosstalk: pares de cabos de circuitos opostos trançados juntos (cancelamento).
4.3.2

Tipos de cabeamento de cobre

três tipos principais de mídias de cobre usadas em redes:

UTP

Par trançado não blindado
Mais comum em LANs

STP

Par trançado blindado
Maior proteção contra ruído

Coaxial

Dois condutores mesmo eixo
Antenas e internet a cabo

4.3.3

Par trançado não blindado (UTP)

O cabeamento UTP é o meio físico de rede mais comum. Terminado com conectores RJ-45, é usado para interconectar hosts de rede com dispositivos intermediários (computadores e roteadores).

Estrutura do cabo UTP: quatro pares de cabos codificados por cores, trançados e colocados em uma capa plástica flexível.
1. Capa externa

Protege os fios de cobre contra danos físicos

2. Pares trançados

Protegem o sinal contra interferências (crosstalk)

3. Isolamento plástico

Código de cores: isola eletricamente os fios e identifica cada par

Processo de trançamento: fios de circuitos opostos são trançados juntos, o que efetivamente cancela o crosstalk.
4.3.4

Par trançado blindado (STP)

O STP oferece maior proteção contra ruído do que o cabeamento UTP.

Desvantagens: significativamente mais caro e difícil instalação em comparação com UTP.
Estrutura do cabo STP (4 números na figura)
  • Revestimento exterior - proteção física
  • Escudo trançado ou laminado - blindagem metálica geral
  • Escudos de alumínio - blindagem individual dos pares
  • Pares trançados - quatro pares de cabos
Cuidado com aterramento: se o cabo não estiver devidamente aterrado, a blindagem poderá atuar como uma antena e captar sinais indesejados.
Assim como o UTP, o STP usa conector RJ-45, mas requer conectores STP blindados especiais para aproveitar totalmente a blindagem.
4.3.5

Cabo coaxial

O cabo coaxial (coax) recebeu esse nome porque tem dois condutores que compartilham o mesmo eixo.

Estrutura do cabo coaxial (4 camadas)
  • Revestimento exterior - proteção contra danos físicos
  • Blindagem de cobre trançado - segunda camada (circuito + proteção EMI)
  • Isolante plástico - separa condutor da blindagem
  • Condutor de cobre - transmite os sinais eletrônicos
Conectores Coaxiais
BNC Tipo N Tipo F

Usos atuais do cabo coaxial

Instalações sem fio

Cabos coaxiais conectam antenas a dispositivos sem fio. Transportam energia de radiofrequência (RF) entre antenas e equipamento de rádio.

Instalações de Internet a cabo

Provedores de serviço a cabo fornecem internet substituindo partes do coaxial por fibra óptica, mas o cabeamento dentro das instalações do cliente ainda é coaxial.

Nota: Embora o cabo UTP tenha substituído essencialmente o cabo coaxial nas modernas instalações Ethernet, o design coaxial ainda é usado nas situações acima.